1.08.2012

Trezentos e cinquenta e oito

Acorda lentamente, aos poucos, quase como se a linha entre estar acordado ou a dormir se encontrasse ténue. Olha para o relógio e conta as horas que dormiu, ritual de todos os dias. Fecha os olhos e deixa-se vaguear temporariamente numa espécie de sonho acordado, com pensamentos desconexos guiados pela mente parcialmente adormecida. Quando se farta, levanta-se num único movimento.
Dorme a um canto da cama enrolado em si e nos lençóis, como se esta estivesse totalmente ocupada excepto naquele pequeno espaço. Lembra-se de acordar à noite com o corpo quase a cair. É como se uma cama vazia fosse demasiado assustadora para ocupar inteiro, demasiado grande e este um pequeno grão de pó.
Faz a metade da cama que ocupou e arrasta-se devagar para o mundo.

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