Penso na quantidade inúmera de vezes que tenho de assinar documentos para comprovar que naquele dia e instante estive ali e recebi aquela notificação em nome de outra pessoa que não eu.
Apenas um intermediário, um mensageiro que diz que esteve ali naquele ano, mês, dia, que se certificou que qualquer documento foi entregue. Penso em como a minha assinatura já correu o país e parte do mundo. Madrid. Washington. Paris. Congo. Macau. Uma assinatura num pedaço de papel que me torna total responsável e que é enviada por todo o mundo.
Talvez seja essa a forma de provar que aqui estive. Talvez uma simples assinatura me tenha tornado imortal, fechada numa sala de arquivos algures, uma assinatura que prova que naquele ano, mês, dia, eu estava em determinado local a comprovar que estava ali. A comprovar que estava vivo.
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