5.13.2011

Casulo

...Acho que, o que me acontece, é que acabo por invejar a sua capacidade de se desligar.
Eu não o posso fazer.
Dou por mim a sonhar acordado com a ideia de o concretizar, de um dia acordar e pensar "vou ficar neste casulo até me fartar de mim; tecer um invólucro de seda e deixar de me preocupar... Mas é-me impossível. Todos os dias tenho de cumprir a corrida do dia anterior sem ficar para trás, sem me restar tempo algum para pensar a fundo no que quer que seja...
No fundo invejo-a. Queria o meu canto, ser consumido pelo torpor, ser afogado novamente pela falta de rumo, pois tal sentimento é viciante, e é tão mais fácil não esperarmos nada de nós; ficarmos no limbo da incerteza e do não querer saber, simplesmente desligar, deitar-mo-nos e adormecermos a mente, sermos outra pessoa, mesmo continuando aqui...
Só desligando do mundo conseguimos esta pausa de tudo, uma pausa onde não nos podemos julgar pois ninguém o pode fazer por nós, e assim ensinamo-nos a ignorar esse sentimento, a adiá-lo para depois.
Sinto falta e invejo-a, mesmo que os despertares momentâneos venham depois a ser piores... O sentimento de despreocupação é demasiado atractivo.
Vários factores me obrigam a estar sempre acordado, sempre desperto, sempre aqui, alguns exteriores a mim, que por sua vez me controlam; mas ainda consigo encontrar os meus minutos de paz, ainda que só minutos. Os minutos de casulo. Mas estes nunca duram, pois seguem-se de um despertar forçado, ou um adormecer de cansaço, ou um correr para a vida.


E talvez, só talvez, seja melhor assim.

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