Quando repetimos demasiadas vezes uma palavra, esta deixa de fazer sentido.
É apenas uma palavra repetida vezes sem fim para chegar a qualquer objectivo de que já nos esquecemos porque a usamos automaticamente, repetida tantas vezes que se torna parte intrínseca do nosso vocabulário.
Reutilizamos palavras e roubamo-lhes o sentido sem ter noção de que podemos vir a precisar delas em momentos muito mais importantes do que os do dia-a-dia, fazemo-lo constantemente, e quando precisamos de exprimir os nossos sentimentos, de referir algo importante, não nos resta nada a dizer.
Apenas silêncio e olhares perdidos.
12.27.2010
12.06.2010
Híbrido
Se tivesse continuado como estava há meses, se não tivesse recomeçado do zero, se não me tivesse reinventado, era uma pessoa completamente diferente.
Talvez noutra realidade, noutro plano de existência, não tomei as decisões desta.
Talvez aí continue a pessoa que era.
Será que se me visse hoje como era há meses, me reconheceria melhor que reconheço a pessoa que sou agora?
Será que somos mesmo sempre nós, que no fundo nunca mudamos, mesmo que alteremos tudo o que outrora nos tornava visivelmente "nós" aos olhos das outras pessoas?
Mesmo que tenha feito uma mudança de pele, como qualquer réptil?
Talvez seja isso que sou.
Um réptil.
No fundo, nunca deixei de rastejar.
Híbrido pré-concebido, há muito que sabia que seria o que me tornei. Como se inconscientemente já tivesse feito a transformação e estivesse apenas à espera do momento certo para a iniciar. À espera do momento para carregar no botão para reiniciar, desaparecer e renascer noutra coisa, recomeçar uma nova era como se fosse outra pessoa.
Afinal não é o que tenho feito estes anos todos? Sendo diferentes pessoas, moldando-me até ficar irreconhecível para quem me conheceu, algo novo para quem não me conhece, algo estranho para mim mesmo, até me habituar a mim próprio?
Hoje olho-me ao espelho, e sinto-me de novo um adolescente. Não sei bem o que vejo, e não sei bem o que encontro, mas estou lentamente a tentar aceitar a diferença, enquanto uma sombra mais familiar me espia pelas costas, sombra que ainda não desapareceu totalmente.
Sombra com pele a escamar, mas ainda lá está. Talvez uma sombra de outro plano de existência, a fazer-me uma visita neste. A sorrir e a pensar no que me tornei. A pensar se fiz a decisão certa. A sussurrar-me ao ouvido que tudo o que sou é apenas uma fachada.
E quando saio de Casa, quando caminho, sinto um rastilho de fantasmas, cópias minhas atrás de mim, como um qualquer quadro futurista. Como se qualquer caminho que tome vá dar a uma infinidade de soluções possíveis. E lá atrás continua a sombra do que fui. A andar ao meu passo, sem nunca me apanhar. A parar quando eu paro, nunca onde eu paro.
Há de lá estar até eu me sentir bem nesta pele nova. Mesmo que a velha já tenha voado com o vento, e só lhe reste a sombra.
Talvez noutra realidade, noutro plano de existência, não tomei as decisões desta.
Talvez aí continue a pessoa que era.
Será que se me visse hoje como era há meses, me reconheceria melhor que reconheço a pessoa que sou agora?
Será que somos mesmo sempre nós, que no fundo nunca mudamos, mesmo que alteremos tudo o que outrora nos tornava visivelmente "nós" aos olhos das outras pessoas?
Mesmo que tenha feito uma mudança de pele, como qualquer réptil?
Talvez seja isso que sou.
Um réptil.
No fundo, nunca deixei de rastejar.
Híbrido pré-concebido, há muito que sabia que seria o que me tornei. Como se inconscientemente já tivesse feito a transformação e estivesse apenas à espera do momento certo para a iniciar. À espera do momento para carregar no botão para reiniciar, desaparecer e renascer noutra coisa, recomeçar uma nova era como se fosse outra pessoa.
Afinal não é o que tenho feito estes anos todos? Sendo diferentes pessoas, moldando-me até ficar irreconhecível para quem me conheceu, algo novo para quem não me conhece, algo estranho para mim mesmo, até me habituar a mim próprio?
Hoje olho-me ao espelho, e sinto-me de novo um adolescente. Não sei bem o que vejo, e não sei bem o que encontro, mas estou lentamente a tentar aceitar a diferença, enquanto uma sombra mais familiar me espia pelas costas, sombra que ainda não desapareceu totalmente.
Sombra com pele a escamar, mas ainda lá está. Talvez uma sombra de outro plano de existência, a fazer-me uma visita neste. A sorrir e a pensar no que me tornei. A pensar se fiz a decisão certa. A sussurrar-me ao ouvido que tudo o que sou é apenas uma fachada.
E quando saio de Casa, quando caminho, sinto um rastilho de fantasmas, cópias minhas atrás de mim, como um qualquer quadro futurista. Como se qualquer caminho que tome vá dar a uma infinidade de soluções possíveis. E lá atrás continua a sombra do que fui. A andar ao meu passo, sem nunca me apanhar. A parar quando eu paro, nunca onde eu paro.
Há de lá estar até eu me sentir bem nesta pele nova. Mesmo que a velha já tenha voado com o vento, e só lhe reste a sombra.
Subscribe to:
Posts (Atom)