Acordamos, o tempo pára, temos tempo, finalmente, para olhar em volta...
Onde foi que tudo se perdeu?
Onde foi que nos tornámos quem vê mas não fala, quem ouve mas não argumenta, quem vive, mas não fica?
Qual o momento em que deixámos que tudo passasse, em que nos distanciámos da multidão?
O cinzento são todos os tons existentes.
Que volte a chuva, a teoria, o poema, o pensamento, que volte a dificuldade, a filosofia.
A simplicidade é demasiada para conseguir sequer pensar.
Acorda-se da dormência e apercebemo-nos de que os espasmos fizeram parte da nossa vida durante meses em que comandaram tudo por nós.
Não há percentagens de cor que mudem o cinzento que nos atormenta, e não há calor que mude o frio que vai pelas nossas mentes.
Não há encadeamento nas nossas ideias, não há ideias nos nossos dias, tudo desapareceu de uma maneira indefinida, tão subitamente quanto o pó que se levanta do chão conforme andamos sem pensar.
E assim como acabámos, viramos agora os ponteiros com os dedos e deixamos o tempo continuar como se nada fosse.
Os espasmos voltam, mas não os sentimos.
Delta e os Panisgas
5 horas atrás

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