2009-07-09

Home I'll Never Be

O velho Waits atravessa-me os ouvidos num classicismo moderno que me faz querer estar perdido numa estrada de deserto quaisquer que se alargue até ao horizonte.
Até lá, contento-me em estar só no meio da multidão, numa carruagem familiar mas desconhecida, a vaguear por ruas escuras, por cinemas velhos e gastos, rodeado de pessoas que preferem a companhia indirecta de estranhos, de preferência silenciosos.
Pó, fumo, alcatifa sem cor, gasta dos anos, e luz ténue. Pessoas estranhas, na sua maior parte sozinhas. Algures onde ninguém faz perguntas a não ser nós a nós próprios. Sem satisfações, conversas ocas, ou responsabilidades. O escape perfeito.

Hajam mais noites assim.

2009-07-07

(Re)Introdução

Um abrir de olhos para um renascer com nervosismo desmedido. Com palavras que se soltam dos dedos para não voltar a recordar. Talvez seja sempre uma questão de vigilância. Ter a noção do sentimento, mantê-lo sobre vigia, pois é menos misterioso assim.
Voltamos então a recordar outras eras e passados, outras portas e o que há para além do reflexo, e assim, a pergunta vai ser sempre constante: para quê ser vago afinal?
Para impedir entrada a um público alargado e manter nos lugares os observadores.
Mas não vamos conter as ogivas que caem em campos minados na nossa mente. Deixemo-las rebentar sobre o mundo.

Deixá-lo assistir ao nosso declínio.

2009-01-29

Static

2008-12-31

Mars

Things keep falling down.

Things keep f
...................a
.....................l
......................l
.......................i
........................n
..........................g
............................


Things keep falling d
............................o
............................w
............................n
.............................

Things keep falling.

2008-12-01

Escrever

"Começa-se a escrever com todo o ânimo, mas chega uma altura em que a pena não risca mais que uma tinta poeirenta e não escorre nem uma gota de vida. E a vida está toda lá fora, para além da janela, longe de ti, e parece que nunca mais poderás refugiar-te na página que escreveste, abrir um outro mundo e lançar-te nele. Talvez seja melhor assim; talvez, quando escrevia com alegria, não fosse milagre nem graça, mas pecado, idolatria, soberba. Então, estou fora? Não, escrevendo não me tornei melhor, apenas dissipei, um pouco, a ansiosa e inconsciente juventude. Que me valerão estas páginas descontentes? O livro, o voto, não valerão mais que tu. Nunca se disse que escrevendo se salva a alma. Escreve, escreve, e a tua alma já está perdida."

in
O Cavaleiro Inexistente, de Italo Calvino

2008-11-23

Quebra

Se eu realmente soubesse o que dizer não estava aqui neste momento.
Se a minha mente estivesse a transbordar de mil-e-um temas e opiniões diferentes eu não estaria aqui de certeza.
Cada vez que tento dizer algo interessante as palavras prendem-se e confundem-se no caminho até sair algo comum.
É assim que sinto isto, agora, neste momento.
E é assim que se nota o quão perdidas as minhas palavras estão.
Não sei como te transmitir o que realmente quero transmitir, o saber ser e estar e o que sou e não queria que visses.
Não sei o que fazer quando reparo e é óbvio o quão confusas as minhas dissertações soam.
É-me cada vez mais difícil ser coerente, como se tivesse uma dor-de-cabeça 24 horas por dia que me tira a concentração.
E custa-me sempre tentar pensar demasiado nas coisas.
Quero viver numa passadeira rolante, ver dia após dia a olhar em frente e nunca duvidar das decisões...
Custa-me tanto saber que reparas...
Como se num pleno estado catatónico, não consigo concentrar-me no que quer que seja, nem sei se quero.
Talvez afinal tudo se trate de uma falsa vontade, de um querer estar sem pensar.
E tudo o que me arranca ou tenta arrancar deste estado me faz reagir ainda menos.
A prova disso é não perceber minimamente se estou a fazer sentido neste momento. Não sei se o que estou a dizer é compreendido de alguma forma, se estou simplesmente a despejar frases sem qualquer noção de estrutura.
Talvez o esteja a fazer porque não quero perder tempo a ler o que digo, se estou só a tentar desabafar de alguma forma já que não tenho a certeza se tudo isto seria compreendido de outra forma.
Nem sei se eu me compreendo neste momento.
Tanto tempo sem cá pôr os pés para finalmente o fazer em forma de algo de qualidade dúbia. Mas não sei se o quereria de outra maneira, em todo o caso.
Sinto tudo desconexo.
Sinto-me desconexo.
E neste momento quero sentar-me a ver o mundo passar e nunca mais ter de pensar no que quer que seja.
Quero perder toda a sensibilidade que me prende a esta cadeira neste momento e flutuar por aí.
Não quero ter a noção de que aqui estou. E não quero perder tempo a pensar demasiado no que faço.
Talvez seja essa a resposta.
Talvez tenha mesmo tentado pôr tudo isso em prática sem me aperceber.
Não quero arrastar quem arrasto para os dilemas que desconheço.

2008-09-24

9.24.2008

Uns sentem a excitação do tédio e outros não, dizem as paredes em letras negras.

O tédio atrai mas também repele, o querer fazer quando ele é convidado e o dar tudo para lhe abrir as portas quando parece longe.
Mas o tédio não se fica pela inacção.
O tédio ajuda, o tédio constrói e fortalece.
Traz consigo a contemplação, a imaginação.
O tédio traz a criatividade.
O tédio é tédio só de nome.
E talvez por isso por vezes precisemos dele com tanta urgência.
Talvez por isso afastemos as vozes que rodeiam o nosso cérebro quando não aguentamos mais.
Só para sentir um pouco desse tédio, dessa contemplação duradoura.
O tédio sente, segue, e aparece sem avisar.

Uns sentem a excitação do tédio e outros não, dizem as paredes em voz alta.
E eu anseio a sua chegada.

2008-09-18

I Wish You Could Talk

Sacudi o pó das mãos.
Levantei-me da cama.
Andei.
Ainda ando.
O descanso é necessário e forçado, nunca mais um aborrecimento, como foi.
O curto espaço de tempo antes de adormecer em que se ponderam todas as acções, todos os momentos, já não existe, foi substituído por um adormecer imediato.

Sempre cansado... 24 horas que parecem minutos, 4 de sono, 19 acordado...

E surge a ideia de o futuro estar já aqui. Não há mais que isto.

Como te sentes?

As ocasionais viagens de uma hora, o sentimento de perda.
O ter planos mas não conseguir uma vida pessoal.
A descoberta de um sítio, algum sítio.
O sono constante e a ideia de que este nos rouba a capacidade de fazer algo bem.
Os acidentes frequentes.

Quem me dera que conseguisses falar.

2008-09-08

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2008-08-11

Thoughtcrime

"To the future or to the past, to a time where thought is free, when men are different from one another and do not live alone - to a time when truth exists and what is done cannot be undone:
From the age of uniformity, from the age of solitude, from the age of Big Brother, from the age of doublethink - greetings!"